Capítulo 3
ASPEN VESTIA
BRANCO. Parecia um
anjo. Ainda estávamos em Carolina, mas não havia ninguém por perto. Estávamos
sozinhos, mas não sentíamos falta de ninguém. Aspen fez uma coroa de ramos para
mim e ficamos juntos.
— America — irrompeu minha mãe,
sacudindo-me até que eu acordasse.
Ela acendeu a luz, ofuscando minha
visão, e tive que esfregar os olhos para me adaptar.
— Acorde, America. Tenho uma proposta
para você.
Olhei para o despertador: eram sete e
pouco da manhã. Cinco horas de sono.
— Dormir mais? — balbuciei.
— Não, querida. Sente-se. Temos um
assunto sério para discutir.
Fiz um esforço enorme para me sentar.
Minhas roupas estavam amassadas e meus cabelos se rebelavam para todos os
lados. Minha mãe batia palmas, como se isso fosse acelerar o processo.
— Vamos, America. Preciso falar com você.
Eu me espreguicei duas vezes.
— O que é? — perguntei.
— Você precisa se inscrever na
Seleção. Acho que daria uma princesa excelente.
Era cedo demais para aquilo.
— Mãe, sério, eu... — suspirei
enquanto lembrava minha promessa a Aspen na noite anterior de que ia pelo menos
tentar. Mas, agora, à luz do dia, não estava muito certa de que queria me
submeter àquilo.
— Sei que você é contra, mas pensei
em um acordo para você mudar de ideia.
Apurei os ouvidos. O que ela tinha a
oferecer?
— Seu pai e eu conversamos ontem e
decidimos que você já está madura o bastante para trabalhar sozinha. Você toca
piano tão bem quanto eu, e com um pouco de esforço vai ficar perfeita no
violino. E sua voz... bem, se você quer minha opinião, não há melhor na
província.
Sorri, um pouco grogue de sono:
— Obrigada, mãe. De verdade.
Acontece que eu não dava tanta
importância a trabalhar sozinha. Não entendia como isso seria um incentivo.
— Mas não é só isso. Você pode pegar
seus próprios trabalhos, ir sozinha e... ficar com metade do que você ganhar —
ela disse, meio que fazendo uma careta.
Arregalei os olhos.
— Mas só se você participar da
Seleção.
Minha mãe sorriu. Ela sabia que assim
me ganharia, embora eu achasse que ela esperava um pouco mais de resistência da
minha parte. Mas como eu poderia resistir? Eu já ia me inscrever mesmo, e ela
dava a chance de eu ganhar um pouco de dinheiro só para mim!
— Você sabe que o máximo que posso
fazer é me inscrever, certo? Não tenho como garantir que eles me sorteiem.
— Eu sei, mas não custa tentar.
— Nossa, mãe... — balancei a cabeça,
ainda chocada. — Tudo bem. Preencho hoje o formulário. É sério o negócio do
dinheiro?
— Claro que é. Cedo ou tarde você ia
trabalhar sozinha mesmo. E vai ser bom para você ser responsável por seu
próprio dinheiro. Só não se esqueça da família. Ainda precisamos de você.
— Claro, mãe. Como esquecer todas as
broncas?
Dei uma piscadinha e ela riu. O
acordo estava feito.
No banho, tentei digerir tudo o que
tinha acontecido em menos de vinte e quatro horas. Preencher aquele simples
formulário me garantiria o apoio da família, faria Aspen feliz e me ajudaria a
guardar dinheiro para casar com ele!
Eu não me preocupava tanto com o
dinheiro, mas Aspen fazia questão de fazer uma poupança para o casamento. A
parte burocrática custava caro, e queríamos fazer uma festinha para a família
depois da cerimônia. Eu imaginava que não demoraríamos muito para juntar a
quantia necessária assim que tomássemos a decisão, mas Aspen queria mais.
Talvez ele acreditasse que não ficaríamos sempre apertados agora que eu ia
trabalhar mais.
Depois do banho, penteei os cabelos e
me maquiei o mínimo possível para comemorar. Então abri o armário e me vesti.
Não havia muito o que escolher. Quase tudo era bege, marrom ou verde. Eu tinha
uns vestidos melhorzinhos para as apresentações, mas já estavam bem fora de
moda. Era assim; não tinha o que fazer. Os Seis e Sete quase sempre vestiam
jeans ou outro tecido grosseiro. A maior parte dos Cinco usava roupas simples,
já que os artistas as cobriam com um avental e as cantoras e bailarinas só
precisavam estar bem vestidas para as apresentações. As castas superiores
usavam calça cáqui ou jeans de vez em quando para mudar o visual, mas sempre de
um jeito que elevava o tecido a um novo patamar. Como se não bastasse ter tudo
o que queriam, ainda transformavam nossas necessidades em artigos de luxo.
Vesti um short cáqui e uma blusinha
verde – de longe as melhores roupas que tinha para usar durante o dia – e me
olhei no espelho mais uma vez antes de descer para a sala. Eu me sentia linda.
Talvez fosse só a empolgação influenciando meus olhos.
Minha mãe estava na mesa da cozinha
com meu pai, cantarolando. Os dois me encararam algumas vezes, mas nem seus
olhares foram capazes de me perturbar.
Fiquei um pouco surpresa ao pegar a
carta. A qualidade do papel era impressionante. Eu nunca tinha posto as mãos em
algo assim. Espesso e levemente texturizado. O peso do papel me deixou atônita
por uns instantes; lembrava-me da grandeza daquilo que eu ia fazer. Duas
palavras pipocaram na minha cabeça: “E se...?”.
Mas eu espantei esse pensamento e pus
a caneta no papel.
Era tudo bem simples. Preenchi nome,
idade, casta e informações de contato. Também tinha que completar peso, altura
e cor de cabelo, olho e pele. Fiquei muito satisfeita ao escrever que podia
falar três idiomas. A maioria das pessoas falava pelo menos dois, mas minha mãe
fez questão de que aprendêssemos francês e espanhol, já que essas línguas ainda
eram usadas em algumas partes do país. Isso também ajudava na hora de cantar.
Havia músicas lindas em francês. Era preciso informar também a escolaridade, o
que variava muito, porque apenas os Seis e Sete estudavam em escolas públicas,
onde se seguiam anos escolares oficiais. Eu já tinha quase completado os
estudos. Na seção “habilidades especiais”, incluí canto e todos os instrumentos
que tocava.
— Você acha que a capacidade de
dormir até tarde conta como habilidade especial? — perguntei a meu pai, fingindo
estar indecisa.
— Sim, pode colocar aí. E não se
esqueça de escrever que consegue comer um prato em cinco minutos — ele
respondeu.
Eu ri. Era verdade: eu praticamente
engolia a comida.
— Ah, vocês dois! Por que não anota
aí que você é completamente desalmada? — explodiu a voz da minha mãe na sala.
Eu não podia acreditar que ela
estivesse tão brava. Afinal, tinha conseguido exatamente o que queria. Olhei
para meu pai com um ar de interrogação.
— Ela só quer o melhor para você, é
isso — ele se reclinou na cadeira, relaxando um pouco antes de começar a
trabalhar em uma encomenda para o fim do mês.
— Você também, mas nunca fica assim
nervoso — comentei.
— É, mas sua mãe e eu temos ideias
diferentes sobre o que é melhor para você — ele disse, e um sorriso brilhou em
seu rosto.
Puxei a boca do meu pai, tanto na
aparência quanto na tendência a dizer coisas inocentes que depois me causavam
problema. O temperamento era da minha mãe, mas ela era melhor na hora de
segurar a língua quando o assunto era importante. Eu não. Como naquele
momento...
— Pai, se eu quisesse casar com um
Seis ou um Sete e o amasse muito, você ia deixar?
Meu pai apoiou a caneca na mesa e
concentrou o olhar em mim. Tentei não entregar nada na minha expressão. Seus
olhos pareciam pesados, cheios de dor.
— America, se você amasse um Oito, eu
deixaria que se casasse com ele. Mas você precisa saber que o amor às vezes
acaba com o peso da vida de casado. E ia ser ainda pior se você não pudesse
sustentar seus filhos. O amor nem sempre sobrevive nessas circunstâncias.
Ele pegou minha mão, procurando meus
olhos com os dele. Tentei esconder minha preocupação.
— Mas o que mais me importa é que
você seja amada. Você merece isso. E eu espero que se case por amor, e não por
número.
Ele não podia dizer o que eu queria
ouvir – que eu de fato me casaria por amor e não por número – mas me deu um
pouco de esperança.
— Obrigada, pai.
— Tenha calma com sua mãe. Ela está
tentando fazer a coisa certa.
Ele beijou minha mão e foi trabalhar.
Suspirei e voltei à ficha de
inscrição. Tudo aquilo me dava a sensação de que nem passava pela cabeça da
minha família que eu tinha vontade própria. Isso me chateava, mas eu sabia que
não ia poder deixar isso claro no futuro. Vontade era um luxo que não podíamos
ter. Éramos movidos à base de necessidades.
Peguei o formulário preenchido e fui
levá-lo para minha mãe, no quintal. Ela estava sentada fazendo a barra de um
vestido, enquanto May fazia a lição de casa. Aspen costumava reclamar da
rigidez dos professores da escola pública, mas eu duvidava que eles superassem
minha mãe. Ela estava de férias, meu Deus!
— Você fez mesmo? — May perguntou,
agitando os joelhos.
— Com certeza.
— Por que mudou de ideia?
— Mamãe pode ser bem convincente
quando quer — respondi, marcando bem as palavras. Mas minha mãe não sentia
nenhuma vergonha de ter me subornado.
— Podemos ir ao Departamento de
Serviços Provinciais assim que você estiver pronta, mãe.
Ela deu um sorrisinho:
— Essa é a minha garota! Pegue suas
coisas que a gente já vai. Quero que sua carta seja uma das primeiras.
Fui pegar a bolsa, como minha mãe
mandou, mas estaquei no quarto de Gerad. Ele estava olhando fixamente para uma
tela de pintura vazia. Parecia frustrado. Fazíamos um rodízio de opções com
ele, mas nunca dava certo. Bastava ver a bola de futebol gasta em um canto ou o
microscópio usado que recebemos como pagamento em um Natal para ficar óbvio que
ele não tinha jeito para a arte.
— Sem inspiração hoje, hein? —
perguntei, entrando no quarto.
Ele me olhou e balançou a cabeça.
— Talvez devesse tentar a escultura,
que nem Kota. Você tem mãos para isso. Aposto que se sairia bem.
— Não quero esculpir nada. Nem
pintar, cantar ou tocar piano. Quero jogar bola! — ele exclamou, chutando o
carpete velho do quarto.
— Eu sei. E você pode, por diversão.
Só que precisa achar uma arte em que seja bom para ganhar dinheiro. Então vai
poder fazer os dois.
— Mas por quê? — ele choramingou.
— Você sabe o motivo. É a lei.
— Mas não é justo!
Gerad jogou a tela no chão, o que
levantou uma nuvem de poeira, que logo foi embora pela janela.
— Não é culpa nossa se nosso bisavô
ou sei lá quem era pobre.
— Eu sei.
Parecia mesmo irracional limitar as
opções de vida com base na ajuda que seus antepassados deram ao governo, mas as
coisas eram assim. Talvez devêssemos apenas dar graças por estarmos seguros.
— Acho que era o único jeito de as
coisas funcionarem naquele tempo — completei.
Ele ficou calado. Dei um suspiro,
peguei a tela do chão e a coloquei de volta no lugar. A vida era assim, e ele
não podia simplesmente chutá-la.
— Você não precisa deixar seus gostos
de lado. Mas você quer ajudar mamãe e papai, crescer e casar, certo? —
perguntei, cutucando a barriga dele.
Gerad botou a língua para fora,
fingindo estar com nojo, e nós dois rimos.
— America! — minha mãe gritou lá de
baixo. — Por que você está demorando tanto?
— Estou indo! — gritei de volta. —
Sei que é difícil, querido, mas as coisas são assim, está bem? — prossegui,
olhando para Gerad.
Eu sabia, porém, que aquilo não
estava bem. Nem um pouco bem.
Minha mãe e eu andamos até o
departamento local. Às vezes, a gente pegava um ônibus para ir a lugares muito
distantes ou para trabalhar. Era chato chegar à casa de um Dois todo suado.
Eles já nos olhavam de um jeito estranho sem isso. Mas o dia estava bonito, e a
caminhada não era assim tão longa. Obviamente, não éramos as únicas que queriam
entregar a inscrição o mais rápido possível. Quando chegamos lá, a rua em
frente ao Departamento de Carolina já estava lotada de mulheres.
Na fila, havia um monte de meninas do
meu bairro, esperando para entrar. Cada uma delas tinha mais três a seu lado, e
a fila já se estendia até a metade do quarteirão. Todas as garotas da província
iam se inscrever. Eu não sabia se ficava assustada ou aliviada.
— Magda! — chamou alguém.
Tanto eu como minha mãe nos viramos
ao som do nome dela.
Celia e Kamber estavam caminhando até
nós junto com a mãe. Ela devia ter tirado o dia de folga. Suas filhas usavam a
melhor roupa que tinham e estavam bem-arrumadas. Não era muito, mas elas ficavam
bonitas com qualquer roupa, como Aspen. Kamber e Celia tinham os mesmos cabelos
escuros e o mesmo sorriso do irmão.
A mãe deles sorriu para mim, e eu
sorri de volta. Eu a adorava. Só conseguia falar com ela de vez em quando, mas
era sempre simpática comigo. E eu sabia que não era porque eu estava uma casta
acima. Já tinha visto a mãe deles dar roupas que não serviam mais nos seus
filhos a famílias que não tinham quase nada. Ela era uma pessoa generosa.
— Oi, Lena. E como vocês estão,
meninas? — cumprimentou minha mãe.
— Bem! — elas responderam em
uníssono.
— Vocês duas estão lindas — eu disse
enquanto jogava um dos cachos de Celia para trás.
— Queríamos ficar bonitas para a foto
— afirmou Kamber.
— Foto? — perguntei.
— Sim — disse a Sra. Leger em voz baixa.
— Eu estava limpando a casa de um juiz ontem. Parece que o sorteio não é bem um
sorteio. É por isso que eles tiram fotos e pegam um monte de informações. Qual
a importância de saber quantas línguas você fala se é tudo aleatório?
Achei estranho. Mesmo. Pensava que
toda a informação ia ser usada depois do sorteio.
— Parece que a notícia vazou. Olhe
para os lados: está cheio de garotas produzidas.
Passei os olhos pela fila. A Sra.
Leger tinha razão. E a diferença entre quem sabia e não sabia era bem clara.
Logo atrás da gente havia uma moça, com certeza uma Sete, ainda com as roupas
de trabalho. As botas cheias de lama provavelmente não iam sair na foto, mas
não havia como esconder o pó no avental. Um pouco mais atrás estava outra Sete,
ostentando seu cinto de ferramentas. O melhor que posso dizer sobre ela é que
seu rosto estava limpo.
No extremo oposto, uma moça tinha
feito um coque e deixara uns fios encaracolados caindo no rosto. A garota ao
lado dela – claramente uma Dois, pelas roupas – tinha um decote do tamanho do
mundo. Outras tinham tanta maquiagem que para mim mais pareciam palhaços. Mas
pelo menos elas estavam tentando.
Minha aparência era razoável, mas eu
não tinha me produzido como as outras garotas. Como as Sete, eu não sabia que
tinha que me preocupar com isso. De repente, comecei a tremer de ansiedade.
Mas por quê? Parei e refleti sobre a
situação.
Eu não queria aquilo. Então não estar
bonita era bom. Eu ficaria pelo menos um ponto abaixo das irmãs de Aspen. Elas
tinham uma beleza natural e aquele pouquinho de maquiagem as deixava ainda mais
adoráveis. Se Kamber ou Celia ganhasse, toda a família subiria na escala. E a
minha com certeza não ia se opor se eu me casasse com alguém da Um, mesmo que
não fosse o príncipe. Minha ignorância era na verdade uma dádiva.
— Acho que você tem razão — minha mãe
disse. — Aquela menina está arrumada para uma festa de Natal — completou,
rindo. Mas eu sabia que ela odiava estar em desvantagem.
— Não sei por que algumas garotas
exageram tanto. Olhe para America. Ela está tão linda. Fico contente por você
não ter ido nessa linha — disse a Sra. Leger.
— Eu não tenho nada de especial. Quem
me escolheria perto de Kamber ou Celia?
Pisquei para as duas, que sorriram.
Minha mãe também deu um sorriso, mas forçado. Ela devia estar dividida entre
ficar na fila ou me obrigar a correr para casa e trocar de roupa.
— Não seja boba! Toda vez que Aspen
volta para casa depois de ter ajudado o irmão ele diz que a família Singer
passou duas vezes na fila do talento e da beleza.
— Verdade? Que gentil! — murmurou
minha mãe.
— É mesmo. Eu não podia querer um
filho melhor. Ele é muito companheiro e trabalha duro.
— Vai fazer uma moça muito feliz
algum dia — comentou minha mãe, sem dar muita atenção à conversa. Ela ainda
estava analisando a concorrência.
A Sra. Leger olhou ao redor.
— Cá entre nós, acho que ele já tem
alguém em mente.
Gelei. Não sabia se fazia algum
comentário ou não. Tinha medo de dar uma resposta que me entregasse.
— Como ela é? — minha mãe quis saber.
Embora estivesse planejando meu
casamento com um completo estranho, tinha tempo para fofoca.
— Não sei direito. Ele não me
apresentou ninguém. Só acho que ele está de olho em alguém porque parece mais
feliz ultimamente — ela respondeu, radiante.
Ultimamente?, pensei. Faz quase dois anos que Aspen e eu nos
encontramos. Por que só ultimamente?
— Ele fica assoviando — foi a
contribuição de Celia para o assunto.
— É, e também canta — concordou
Kamber.
— Canta? — perguntei espantada.
— Pois é — confirmaram as duas em
coro.
— Então ele está mesmo com alguém! —
palpitou minha mãe. — Quem será?
— Aí você me pegou. Mas deve ser uma
moça ótima. Ele tem trabalhado muito, mais do que o normal, e guardado
dinheiro. Acho que está tentando economizar para o casamento.
Não consegui segurar um gritinho de
empolgação. Para minha sorte, todos acharam que era só por causa das notícias.
— Nada me deixa mais feliz —
prosseguiu a Sra. Leger — mesmo que ele ainda não esteja pronto para contar
quem ela é. Aspen está sorrindo; dá para notar a alegria dele. As coisas
ficaram tão difíceis para nós desde que perdemos Herrick, e ele assumiu muitas
responsabilidades. Qualquer garota que o faça feliz já é uma filha para mim.
— É uma moça de sorte! Aspen é um
garoto maravilhoso — observou minha mãe.
Eu não podia acreditar. A família
estava sempre tentando fazer o dinheiro durar até o fim do mês, e Aspen
guardava uma parte por minha causa! Não sabia se dava uma bronca ou um beijo
nele. Eu... não tinha palavras.
Ele ia mesmo me pedir em casamento!
Era tudo em que eu conseguia
pensar: Aspen, Aspen, Aspen.
Fiquei na fila, cheguei ao guichê, assinei os papéis confirmando que as
informações eram verdadeiras e tirei a foto. Antes de encarar o fotógrafo,
sentei na cadeira e balancei os cabelos uma ou duas vezes para que ficassem com
vida.
Acho que nenhuma outra garota de
Illéa estava mais sorridente que eu.
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